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sexta-feira, 16 de março de 2012

Entre carrões e sem salário, Kleber Pereira prepara adeus aos 36

Aos 36 anos, atacante do Moto Club anuncia adeus aos gramados para o fim do ano e constrói rotina como homem de negócios em São Luís

 
Kléber Pereira em jogo pelo Moto Club (Foto: Divulgação/Moto Club)
Kleber Pereira mora em um bairro de periferia em São Luís, convive com pessoas de hábitos simples. As diferenças em relação aos demais moradores do Rio Anil começam a aparecer quando o atleta sai para trabalhar. Para atravessar o trânsito
intenso da capital maranhense, o jogador escolhe um de seus quatro automóveis de luxo para ir ao treino do Moto Club. Quando não quer sair com a BMW vermelha, costuma usar o Camaro amarelo ou até mesmo o Veloster preto. Quando quer inovar, vai com o triciclo Spyder. E não vai sozinho. Costuma dar caronas a colegas de clube.
No fim do mês, quando todos esperam pelo pagamento, Kleber sabe que não vai aumentar seu patrimônio, pois joga sem receber salários. Fã de Michael Jordan, ex-estrela do basquete, ele adotou o número 23 até na placa dos seus carros. O artilheiro trabalha todos os dias por amor ao time que o revelou. "É uma forma de retribuição", diz ele. Kléber ainda arruma tempo para cuidar dos investimentos em imóveis em cidades como Santos, Porto Alegre e, principalmente, São Luís.
BMW vermelha do atacante do Moto Club, Kleber Pereira, na Praia do Calhau, em São Luís (Foto: João Ricardo/Globoesporte.com)
Kleber Pereira vai treinar na Praia do Calhau, em São Luís, com sua BMW vermelha (Foto: João Ricardo/Globoesporte.com)
O atacante de 36 anos definiu para este ano a sua aposentadoria. Após interromper a carreira profissional no futebol, vai manter suas atividades no ramo imobiliário e pretende investir também no esporte com um dos irmãos. Só não definiu ainda como.
Contudo, o principal plano não são os negócios, mas, sim, aproveitar bastante o convívio com a família, em viagens para pontos turísticos, além de tratar do herdeiro. Após 11 anos de casamento, pensa agora em filhos. A mudança de endereço, após três décadas na mesma rua, também faz parte dos planos.
Esta é a vida de um dos artilheiros do futebol brasileiro. Foi goleador no Santos e Atlético-PR. Passou pelo futebol mexicano vestindo a camisa de clubes como Necaxa e América. O jogador conversou com o GLOBOESPORTE.COM/MA e revelou mais detalhes de sua carreira, polemizando na hora de falar de Seleção Brasileira.
Você se sente realizado como profissional do futebol?
Foram momentos maravilhosos da minha vida. A ida para o Atlético, depois o retorno ao Santos. Conheci pessoas maravilhosas, outras decepcionantes, mas fiz mais amigos, como o Neymar. É importante você deixar amigos por onde passa, pois isso vale muito mais do que dinheiro. Graças a Deus, fui feliz nesse ponto. Estou satisfeito com a minha vida, com tudo aquilo que conquistei.

Como você define essa nova etapa profissional já no fim de carreira?
O Moto é outra coisa marcante na minha vida. Não jogo por dinheiro, todos sabem disso. Jogo por amor, por carinho ao clube. Mas vai chegar o momento de dizer adeus. Conversei com minha família, e está tudo certo já para este ano. Chegou o momento de descansar.

A Seleção Brasileira fez falta na tua carreira?
Todo jogador sonha com isso. Uma criança que está começando a jogar diz que o sonho é jogar na Seleção. Mas depois que você conhece as coisas que acontecem dentro da Seleção, dentro da própria CBF, depois que você convive com pessoas que passaram pela Seleção e não querem mais voltar... Por aí você tira o desgaste.

Kléber Pereira treinando no Moto Club (Foto: Divulgação/Moto Club)
Kléber Pereira treinando no CT do Moto
 Club
(Foto: Divulgação/Moto Club)
O que essas pessoas falaram para você? Que só joga na Seleção quem tem empresário influente, por exemplo?
É mais ou menos isso. Sabemos muito bem as coisas que acontecem no Brasil. Em outros países isso não acontece. Sempre são convocados os melhores. Quando comecei, buscava a Seleção, mas depois desgastou. Deus não quis. Acho que Ele estava me livrando de alguma coisa.

Não teve convocação, mas teve um título do Campeonato Brasileiro em 2001, pelo Atlético-PR. Foi tão importante que teve até comemoração pelos dez anos, não foi isso?
Isso. Fizemos aqui em São Luís um jogo festivo no CT do Moto. Pires (volante) e eu, que fomos campeões naquele ano. Estivemos nas comemorações no Paraná e fizemos a nossa aqui em São Luís. Pena que não deu para trazer todo mundo. O jogo aqui terminou 4 a 4. Nós colocamos até 3 a 1, mas deixamos empatar (risos).

Qual o motivo da sua preferência por camisas de Michel Jordan (ídolo do basquete), com o número 23, inclusive com sua camisa no Moto Club?
Gosto de assistir aos esportes dos americanos, como beisebol e futebol americano, além do basquete. Compro os livros do Michel Jordan, aprendo muito com ele. Ainda no Brasil já gostava do Jordan, mas passei a conhecê-lo mais na minha saída para o México. Vi as coisas que ele fazia, que ele sonhava e lutava. Isso foi bom para mim, por isso prefiro o número 23 até nos meus carros. O da minha esposa e da minha mãe também tem o número nas placas. Até hoje o 23 nos dá sorte. Espero que continue.

Você gosta de basquete, então deve acompanhar o time maranhense na Liga de Basquete Feminino?
Acompanho, mas não vou ao ginásio, pois é complicado (ele costuma atrair muita gente, o que pode gerar tumulto). Tenho que dar parabéns para a Iziane por ter voltado ao Maranhão também. Isso é importante. O Preto (zagueiro, ex-Santos) também voltou para jogar no Sampaio. Isso é legal.

Iziane é a Kleber Pereira das quadras?
Ela joga mais. É muito melhor (risos). Mas depende do grupo também, ninguém faz uma trajetória sozinha na vida. Gosto muito do time. Tomara que o time dispute as finais, pois é bom para o basquete maranhense.

Kléber Pereira em jogo pelo Moto Club (Foto: Divulgação/Moto Club)Sobre família. Hoje você tem vários imóveis, mas a compra da casa da sua mãe foi à base de muito sacrifício. Como foi que você conseguiu?
Fui artilheiro do Campeonato Maranhense em 2008 e ganhei um Gol (automóvel) do Governo do Estado (parceria com a Federação Maranhense de Futebol à época). Eu nem sabia dirigir, nem sonhava ter carro, não sabia o que era isso (risos). Aí com o dinheiro do carro comprei a primeira casa da minha mãe, que é a mesma até hoje.

Como é sua relação com esposa e irmãos?
Sou casado há 11 anos e estou com minha esposa há 16. Ela é maranhense, nascida em Viana. Sempre me deu força nas minhas decisões. Ela é motense e atleticana. Tem que ser (risos). Tenho irmãos que são motenses, bolivianos (torcedores do Sampaio), outros são maqueanos (torcedores do Maranhão). A gozação é grande, ainda mais quando perde. Mas a gente aceita, pois é família. Quando entro em campo penso muito neles. Penso em fazer o melhor por eles. Tanto que vou levar meus irmãos para visitarem alguns lugares, como Barreirinhas (cidade dos Lençóis Maranhenses). Alguns não foram ainda. Vou levá-los para descansarem comigo.

Tem filhos ou é o tiozão da família?
Ainda não tenho filhos. Sobrinhos tenho muitos. Acho que tenho mais de 30 (risos). Mas já penso (em ter filhos). Falei com minha esposa. Agora que estamos de volta ao Maranhão, já planejamos isso.

Depois da aposentadoria, vai fazer o quê?
Estou vendo alguma coisa com um dos meus irmãos. Queremos montar algo dentro daquilo que conquistamos no futebol. Não digo ser empresário, pois tem alguns que enganam as pessoas. Não tem nada decidido ainda. Outro negócio são os investimentos nos imóveis que temos em São Luís, Santos, Porto Alegre e outras cidades.

Não tenho filhos. Sobrinhos tenho muitos. Acho que tenho mais de 30. Mas sobre filho já penso. Falei com minha esposa e agora que estamos de volta ao Maranhão estamos planejando isso"
Kleber Pereira
Os carros são uma paixão pelo que demonstra. Quais são seus carros?
Tenho uma BMW vermelha, um Camaro amarelo, um Veloster preto e um triciclo Spyder. O carro da minha mãe é um Gol, e o da minha esposa, um i30. Procuro sempre dar coisas boas a eles (família), e Deus me deu essa oportunidade por meio do futebol.

Você não mudou de bairro mesmo com todas as possibilidades. Pensa em fazer isso agora?
Estou no mesmo bairro, na mesma rua, no mesmo lugar há 34 anos. Mas minha esposa pensa em sair. Ela está procurando outro bairro. Agora tenho que fazer o lado dela, pois está comigo há 11 anos, sempre me dando força. Mas vamos conversar ainda sobre isso.

Globo Esporte

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